Lisboa, Portugal, 1942

António Lobo Antunes estudou Medicina em Lisboa e trabalhou como psiquiatra antes de ser chamado, em 1970, para servir ao exército português como médico militar na Guerra de Angola, onde conheceu Ernesto Melo Antunes, um dos cabecilhas da ulterior Revolução dos Cravos, na qual Lobo Antunes também participou. Marcado profundamente pela experiência da guerra, ao regressar a Lisboa abandona a psiquiatria para mergulhar profundamente na sua obra literária que rapidamente iria brilhar pela sua originalidade, convertendo-se em uma das mais sólidas e importantes da literatura portuguesa contemporânea. Merecedor de várias distinções, a sua extensa produção foi traduzida a mais de vinte idiomas, e hoje é um forte candidato ao Prémio Nobel de Literatura.

  • "Lobo Antunes se revela como un artista escultor consumado, que modela con calidad de detalle el submundo intangible de la oscuridad humana" . La Vanguardia.
  • "Cada nuevo libro de Lobo Antunes es un ensanchamiento de los límites de la novela" . El País.

Bibliografia

Novedad

Um livro vertiginoso, violento e por vezes duro, num regresso do autor aos fantasmas da guerra de Angola.

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Novela

Um livro vertiginoso, violento e por vezes duro, num regresso do autor aos fantasmas da guerra de Angola.

"António 
Lobo Antunes ergueu mais um romance-catedral. Sobre a memória, o sofrimento, 
a perda, o amor e todas as coisas frágeis, quase indizíveis, que nos escapam ou nos faltam. " José Mario Silva, Expresso

 

«Ler a prosa do maior escritor português, que é também um dos escritores maiores do seu tempo, é uma experiência rara, perturbadora e ao mesmo tempo cativante.»
Bruno Corty, Le Figaro

"O que está neste livro não é uma história, é uma voz que se ergue entre dois silêncios" Bruno Vieira Amaral, Observador

Um livro perturbador sobre a memória  –ou a perda da memória. Uma velha actriz luta com a idade e as suas contingências, enquanto as recordações do passado invadem os seus dias.

“Mandaram?me pela primeira vez a casa da Senhora mais ou menos na altura em que encontrei o sem abrigo a dormir no degrau da livraria e palavra de honra que só dei por ele no momento em que tirei a chave da carteira para abrir a porta, ou antes duas chaves na argola com um ursinho de pano a que faltava o olho direito, a boa e uma segunda de que continuo a ignorar a serventia, desde pequena que as chaves me intrigam, misteriosas, secretas, introduzindo?as na fechadura abrem o quê, se lhes perguntasse
– Abrem o quê?”

"Um autor com uma facilidade prodigiosa para enlaçar obras-primas, que dentro de cinco mil anos, em argila ou em pó de estrelas, continuarão a ser lidas com paixão." El País

O livro toma como base um prédio algures em Lisboa e as «histórias» das pessoas que nele vivem, mas este é apenas um pretexto para António Lobo Antunes nos maravilhar com a sua escrita única e a sua descida cada vez mais fundo ao que de mais íntimo há em cada um de nós.

O enredo do livro desenvolve-se em três dias, sexta-feira, sábado e domingo. Uma mulher com perto de cinquenta anos vai passar um fim-de-semana na casa de férias da família, numa praia não identificada. A casa, modesta, foi vendida e ela quer despedir-se da casa, mas também relembrar tudo o que se passou ali - a sua infância com os pais e os irmãos, o suicídio do irmão mais velho, o irmão surdo-mudo, o complexo e dramático relacionamento dos pais, a menina da casa em frente, sua amiga do tempo de férias. Vem depois a sua vida actual, mal casada, sem filhos, professora numa escola como tantas outras, com uma relação frustrante e sem entusiasmo com uma colega mais velha... O falhanço que é a sua vida reflecte-se na casa há muito desabitada e nos sonhos de todos eles, ali irremediavelmente enterrados. A despedida da casa pode levá-la a imitar o irmão mais velho e, no domingo, atirar-se das arribas e encerrar ali uma vida sem futuro. 

«Um doloroso canto de uma mulher torturada» foi o ponto de partida para Comissão das Lágrimas,o novo livro de António Lobo Antunes. A mulher torturada foi Elvira (conhecida por Virinha), comandante do batalhão feminino do MPLA presa, torturada e morta na sequência dos terríveis acontecimentos de Maio de 1977 em Angola. Mas este é apenas um episódio num livro denso e sombrio sobre Angola depois da independência. António Lobo Antunes não quis fazer um livro documental ou uma reportagem «verídica» sobre o que se passou em Angola, antes usou a sua sensibilidade e o espantoso poder evocativo da sua escrita para falar sobre a culpa, a vingança, a inocência perdida. Um extraordinário e surpreendente romance repleto de aventuras.

Um romance sobre a vida e a morte, na escrita inconfundível de António Lobo Antunes   Entre os últimos dias de Março e os primeiros de Abril de 2007, depois de uma operação grave, o narrador, entre as dores e a confusão provocada pela anestesia e pelos medicamentos, recupera fragmentos da sua vida e das pessoas que a atravessaram: os pais e os avós, a vila da sua infância, a natureza da serra os amores e desamores. Como um rio que corre, vamos vivendo com ele as humilhações da doença, a proximidade da morte, e o chamamento da vida.

A acção decorre no Ribatejo, numa quinta onde se criam toiros. A mãe está a morrer e cada um dos filhos fala e conta a sua história, que se cruza com a história dos outros. Francisco, que odeia os irmãos e espera apropriar-se de tudo quando a mãe morrer;  João, o preferido da mãe, pedófilo, que engata rapazinhos no Parque Eduardo VII; Beatriz, que engravidou e teve de casar cedo; Ana, a mais inteligente, drogada e frequentadora dos mais sinistros lugares onde se trafica droga. Há ainda a figura do pai, que vai perdendo ao jogo a fortuna da família, na obsessão de que o número 17 lhe há-de trazer a sorte. E finalmente Mercília, a criada que os criou a todos e que sabe todos os segredos.

Começamos por uma casa, pelo sentimento uma força em exercício, um poder que vem de há muito tempo, quando essa casa era igual mas era uma herdade, um latifúndio, quando nada faltava – a família, as empregadas na cozinha, o feitor, os campos, a vila ao fundo, e a voz do avô a comandar o mundo. Agora há fotografias no Alentejo em vez de pessoas, e há objectos, cientes que também acabarão sem ninguém, há memórias de quem dorme, ou morreu, mortos que não sabem se a vida foi vida, há os irmãos, um é autista, e a imagem da mãe muito nítida, sempre de costas “(alguma vez a vi sem ser de costas para mim?)”. Nessa altura já não se sabia a que cheira o vento, como não se sabe para onde foi a Maria Adelaide, morta também, foi para Lisboa? A herdade foi tirada ao autista, e a doença (de quem?) é um arquipélago branco nas radiografias dos outros, um arquipélago normal, inocente. Estão todos mortos ou estão todos a sonhar e trocaram de sonhos, como se pudessemos trocar de sonhos.

 O livro começa como um relatório de polícia, descrevendo a vida de um gang numa zona a que se chama simplesmente Bairro e que nos pode fazer evocar um qualquer bairro periférico de uma grande cidade. A legião que é referida no título reporta-se a uma citação do Evangelho de São Lucas, mais precisamente ao seguinte excerto: «(...) Quando desceu para terra veio-lhes ao encontro um homem da cidade, possesso de vários demónios, que desde há muito não se vestia nem vivia em casa mas nos túmulos. Ao ver Jesus prostrou-se diante dele, gritando em alta voz: 'Que tens que ver comigo Jesus, filho de Deus altíssimo? Peço-te que não me atormentes!» (...) Jesus perguntou-lhe: 'Qual é o teu nome?' 'O meu nome é Legião'. respondeu. Porque muitos demónios tinham entrado nele e suplicavam-lhe que os não mandasse para o abismo. Com O Meu Nome é Legião percorremos, como se fosse a nossa vida, a vida de pessoas que vivem na pior parte do pior sítio do mundo . pessoas que são muitos, sendo o mesmo, e sendo esse «mesmo» uma parte oculta, desesperada e silenciosa de nós, que se esforça por acreditar que há uma salvação. Cruzam-se histórias, tendo quase sempre como pano de fundo o bairro; os conflitos homem/mulher, ricos/probres, brancos/pretos; as histórias não acabam, e é normal - o autor mostra-nos que aquilo que existe de mais parecido com a salvação é esquecer tudo o que aconteceu e pensar: «Não tenho medo de vocês, não tenho medo de nada»

Em Ontem não te vi em Babilônia, Lobo Antunes cria um quebra-cabeça fascinante, que aos poucos se revela aos olhos do leitor. É madrugada e, conforme a noite avança até as primeiras horas da manhã, os personagens deste livro magnífico — décimo oitavo na carreira de António Lobo Antunes — rolam insones na cama, assombrados por memórias dolorosas de perda, traição e morte. Suas lembranças se entrelaçam umas às outras, criando uma impressionante trama de múltiplas vozes. Ana Emília não se esquece da morte da filha, um suicídio quando contava apenas 15 anos. Alice, ex-enfermeira de um hospital de província, casada com um homem calado e truculento, repassa acontecimentos difíceis da infância. E Osvaldo, seu marido, acordado no quarto ao lado, se recorda inicialmente da mãe, que morreu quando ele ainda era criança, e, com o passar das horas, lembra eventos mais recentes, que ligam intimamente os personagens.

Antes de se aposentar, Osvaldo era um policial que torturava e matava “inimigos da Igreja e do Estado”. Suas ações, muitas vezes descomedidas, acabaram por selar o destino de todos os que, durante essa noite, são atormentados pela memória. Em Ontem não te vi em Babilônia, Lobo Antunes cria um quebra-cabeça fascinante, que aos poucos se revela aos olhos do leitor.

Durante anos, às quartas-feiras, numa pensão de Lisboa, uma homem e uma mulher encontram-se para viver uma paixão renascida após uma longa interrupção.
Um extraordinário romance que cruza as fotografias da memória desse amor clandestino, dos dois amantes e dos que os rodeiam.

Neste livro, Lobo Antunes regressa a Angola, lugar essencial da sua obra romanesca, agora em época pós-descolonização. Um agente dos Serviços viaja à antiga colónia portuguesa incumbido de tarefa arriscada. Mas não volta. E logo outro o substitui, e depois outro, como na arena os touros se vão seguindo uns aos outros, para a lide. E nós leitores embrenhando-nos na leitura, como se de uma floresta se tratasse. 

Paulo, o filho de Carlos, que é travesti, e de Judite, toxicodependente, fala de como a sua vida se transformou por causa do pai, acabando mesmo por, numa determinada fase, ser internado. A mãe, prostituta alcoolizada, tem uma estranha relação com Carlos e com Rui, o seu companheiro. 

"Quis escrever um livro sobre a identidade, fazendo várias interrogações que se colocam de um modo especial num travesti.", Lobo Antunes em entrevista à Revista Visão.

 

 

O pai de Maria Clara foi internado e vai morrer. O livro é composto pelas divagações de Maria Clara, as suas recordações e as suas histórias e personagens inventadas, enquanto o pai está a morrer. 

As vozes de quatro mulheres reconstroem a narrativa de que são actores os quatro companheiros delas e que se centra na acção de uma rede bombista de extrema-direita a actuar em Portugal a seguir ao 25 de Abril. Sendo personagens menos relevantes para a acção principal do que os companheiros, é, no entanto, a voz destas mulheres que reconstrói os acontecimentos e marca as suas diferenças de estatuto. A complexidade de relações entre elas define a forma como cada uma se sente em relação às outras e se sente por elas considerada ou desconsiderada. Gradualmente, as relações entre estas mulheres, limitadas a viver na sombra dos homens, irão mudar no sentido de pôr fim quer à sua situação pessoal, quer à continuação das acções da rede bombista.

Quatro personagens contam a sua história familiar, que se funde quer na história dos últimos anos do domínio colonialista português, quer na dos primeiros anos da independência e na guerra civil que se seguiu em Angola. A miragem do esplendor de Portugal evocado no título esboroa-se na desagregação da família, pondo a nu os seus defeitos e as suas fraquezas.

Conta-nos o desmoronamento de uma família da alta burguesia do antigo regime, rica e considerada. Centra-se na figura do patriarca, Dr. Francisco, influente e poderoso governante de Salazar, decorrendo a acção em dois períodos distintos: antes e depois do 25 de Abril de 1974. Fala-nos da vida das personagens durante o Estado Novo, tempo de opulência e de fortuna, e da mudança drástica sofrida com a queda do regime fascista. É um relato acutilante e crítico de um país dividido.

António Lobo Antunes, implacável, dá-nos a conhecer uma família e os que em seu torno gravitam, num retrato árido e cruel, que leva o leitor, pelo menos, a repensar as relações entre os homens num Portugal prestes a entrar no século XX. Uma Lisboa marginal, decadende, que acolhe um pequeno universo com personagens que giram em torno da sua própria solidão e isolamento. Um pai ingénuo que acredita que Gardel não morreu naquele acidente aéreo, e uma tia obstinada dirigem-se a um hospital para velar um jovem heroínomano em estado de coma.

Em A Ordem Natural das Coisas, António Lobo Antunes traça o complexo fado multi-geracional de duas famílias que são assombradas pelos seus passados.

Tratado das Paixões da Alma é o primeiro romance da trilogia apelidada de “ciclo de Lisboa”, composta por A Ordem Natural das Coisas e A Morte de Carlos Gardel. Este ciclo comporta a infância e adolescência de António Lobo Antunes e a sua vida em Benfica, Lisboa, recheada de lembranças dos seus amigos e da relação que tinha com os seus familiares, acontecimentos que marcaram o autor e que o mesmo nunca mais esqueceu. 

Os Descobrimentos como se fossem vistos do avesso, mostram a decadência de Portugal em todo o seu esplendor. Navegadores, reis, escritores, colonos, regressam à pátria. Pedro Álvares Cabral procura emprego e vive num quarto nojento de uma pensão com outras famílias de Angola, Gil Vicente é ourives, Vasco da Gama passeia no Guincho com o rei D. Manuel. D. Sebastião é esperado por um grupo de indigentes. Mesmo antes disso, A Portuguesa é executado em ritmo de pasodoble.

A Vida de uma grande família portuguesa em 1975. quando, em Portugal, «a época das cerimónias morreu». Um casal e o irmão do marido viajam até Reguengos de Monsaraz porque o patriarca (o avô) está moribundo. Em Monsaraz vive o resto do clã, que inclui um filho e uma filha, ambos casados, e uma terceira filha, solteira e mongolóide. O velho morre durante as festas da vila, que terminam com a morte do touro. Não há herança, há dívidas. A família foge do país.

É o grande romance sobre o 25 de Abril. Narra o regresso e reencontro de quatro ex-combatentes da guerra colonial, o modo como a vida se lhes transtornou e se destruiu. A história prende a atenção pela narrativa articulada, por vezes irresistivelmente divertida, em que personagens e caracteres convincentes, bem desenhados, vivem uma intriga de acontecimentos múltiplos e surpreendentes peripécias de timbre trágico e cómico, do quotidiano banal ao sucesso mais insólito.

Relato dos últimos quatro dias da vida de Rui S.  Rui visita a mãe que está a morrer de cancro numa clínica em Lisboa; parte, em seguida, com a mulher, Marília, para um congresso em Tomar, mas, a meio da viagem, muda de ideias e seguem para uma estalagem em Aveiro, à beira da ria, para uma estadia a sós. Na realidade, o seu propósito é falar a Marília do desejo de separação, mas acaba por ser a mulher que lhe comunica, ao terceiro dia, a vontade de se separar dele. No domingo, Rui sai cedo do quarto da estalagem para passear na ria enquanto a mulher regressa sozinha a Lisboa. Horas depois, rui suicida-se nas margens do Vouga, olhando os bandos de pássaros.

Durante uma viagem de carro realizada no final das férias de Verão, o médico psiquiatra, que viaja sozinho, ocupa o tempo que medeia entre a partida de Albufeira e a chegada à Praia das Maçãs (uma tarde e parte de uma noite) na observação do espaço percorrido, em considerações sobre a sua vida presente, e na rememoração de momentos marcantes da sua existência. Apresentando-se inicialmente como um longo monólogo interior (numa oscilação constante entre a primeira e terceira pessoas gramaticais), ganha contornos de diálogo quando o narrador enceta uma conversa fantasmática com a sua filha Joana.

Seis anos após o término da guerra colonial, é lançado Os Cus de Judas, de Antonio Lobo Antunes que conta a trajetória de um soldado português que servira o exército colonial em Angola e, a partir desse contacto com a situação em África, vê sua vida, seus valores sendo destruídos.
Segundo o autor, em entrevista publicada em Lisboa em abril de 1994, o livro é parte de uma trilogia que inclui Memória de Elefante (anterior) e, Conhecimento do Inferno (posterior) a obra em questão. O retrato da guerra colonial é a marca dessa etapa ou ciclo de sua vida, como ele mesmo afirma.

O livro acompanha a crise existencial do narrador, um psiquiatra que mora em Lisboa - alter ego do próprio Lobo Antunes. Regressado de Angola e separado da mulher e das filhas, o protagonista revela ao longo da narrativa - que transcorre em um único dia - sua grande mágoa em relação ao casamento fracassado.

Relatos

Breve colección de relatos donde el humor y los temas recurrentes del autor se hacen patentes.

Narrativa juvenil / infantil

 A saudade de África. A nostalgia da infância. O Tejo como ponte de memórias e como cenário de fundo. Um texto de António Lobo Antunes ilustrado por aguarelas do músico e compositor Vitorino, propositadamente criadas para esta edição da Dom Quixote. Para ser lido e admirado por jovens e adultos.

Biografía / Memorias

Seleçao feta a partir dos volumes Livro de crónicas e Segundo Livro de crónicas. Nesta seleção de sessenta textos, publicados principalmente no jornal Público e na revista Visão, Portugal, vemos um escritor diferente, mas ainda genial. Ele fala de si, de relacionamentos e despedida, num coimpleto entrelaçamento entre realidade e ficção. Como resultado, cria textos brilhantes, em que pequenas passagens da vida ganham dimensão universal. 

Pouco dado à confidência, António Lobo Antunes fala pela primeira vez, abertamente, da sua vida e da sua obra.
Ao longo de várias entrevistas concedidas pelo autor à jornalista María Luisa Blanco, directora do "Babélia", o suplemento cultural do "El País", resulta a maior entrevista de sempre do escritor português. Um momento de interesse adicional é sem dúvida o anexo contendo uma entrevista com os pais de António Lobo Antunes, os quais até agora nunca se tinham pronunciado publicamente sobre o filho.

Antologia / Seleção

  • The fat man and infinity & Other writing. Norton, 2009 (USA).

Obra jornalística

Terceiro livro de crónicas de António Lobo Antunes, uma selecção daquelas que foram publicadas entre 2002 e 2004. As crónicas de António Lobo Antunes surgiram nos anos 90 no jornal Público e podem agora ser lidas na revista Visão sendo, ainda quinzenais; o seu êxito é enorme. São também publicadas em Espanha, no diário El País. Os dois anteriores livros de crónicas foram traduzidos em vários países. Os seus múltiplos registos, a diversidade das pequenas histórias contadas, o virtuosismo, a arte de levar o leitor do sorriso à emoção extrema, fazem, por um lado, com que estas crónicas se leiam com uma enorme facilidade e, por outro, que sejam um tema muito curioso para um exercício: ver até que ponto se distanciam, e, por vezes, se aproximam, dos livros. 

O segundo livro de crónicas, publicado em 2002, é uma compilação de textos publicados na revista Visão em que fica bem patente a singularidade que Lobo Antunes imprime às suas crónicas. Textos curtos, escritos no imediato sobre temas do seu imaginário e obsessões pessoais que encontramos também nos seus romances. As crónicas, sendo muito mais acessíveis ao grande público do que os romances, não descuram uma forte componente literária. E com uma narrativa que nos surpreende sempre pela genialidade como junta as palavras para formar cada frase, António Lobo Antunes leva-nos da tristeza à alegria e arranca-nos sorrisos pela forma como se ri de si próprio e das pequenas fraquezas de cada um de nós e que "apanha" e retracta como ninguém.

Livro de Crónicas reuniu as crónicas que António Lobo Antunes publicara durante mais de uma década em jornais e revistas, proporcionando aos leitores uma abordagem completamente diferente da sua obra, mais aberta ao leitor comum, sem perder a excelência da qualidade literária que alcançara com os seus romances. Estas Crónicas foram publicadas paralelamente aos romances e partilham do seu universo ficcional, mas alargando esse universo a situações do quotidiano e a figuras ou acontecimentos passados ou presentes. Aqui, o escritor desenvolve uma conversa íntima, solta, falando de tudo e de nada, muitas vezes em tom confidencial, a espreitar para a vida em seu redor, propondo-se por vezes fazer rir pela caricatura, ou sorrir de prazer pela cumplicidade que se estabelece entre o escritor e os seus leitores.

Correspondência

Cartas que António Lobo Antunes escreveu diariamente durante 18 meses à sua mulher, Maria José, nos anos em que esteve na Guerra Colonial. 
Escrita de grande sensibilidade, em que o autor se revela, como nunca antes, numa tonalidade próxima das suas crónicas.  O livro é acompanhado de fotos e desenhos.

«As cartas deste livro foram escritas por um homem de 28 anos na privacidade da sua relação com a mulher, isolado de tudo e todos durante dois anos de guerra colonial em Angola, sem pensar que algum dia viriam a ser lidas por mais alguém. Não vamos aqui descrever o que são essas cartas: cada pessoa irá lê-las de forma diferente, seguramente distinta da nossa. Mas qualquer que seja a abordagem, literária, biográfica, documento de guerra ou história de amor, sabemos que é extraordinária em todos esses aspectos.» Do Prefácio de Maria José Lobo Antunes e Joana Lobo Antunes. 

Outros géneros

Catálogo de una exposición de Pintura de Júlio Pomar con texto de António Lobo Antunes.

Prémios

  • 2018 - Premio Bottari Lattes Grinzane (Italia)
  • 2017 - Prémio Vida e Obra, de la Sociedade Portuguesa de Autores
  • 2014 - Grande Prémio de Excelência do Salão do Livro da Transilvânia
  • 2008 - Premio FIL de Literatura en Lenguas Romances (FIL Guadalajara)
  • 2008 - Prémio Clube Literário do Porto
  • 2008 - Premio Juan Rulfo
  • 2008 -  Premio Terenci Moix
  • 2008 - Prémio José Donoso
  • 2007 - Prémio Camões
  • 2005 - Prémio Jerusalém
  • 2004 - Prémio Fernando Namora
  • 2003 - Prémio Ovídio da União dos Escritores Romenos
  • 2003 - Prémio União Latina
  • 2000 - Premio Estatal Austríaco de Literatura Europea (Österreichischer Staatspreis für Europäische Literatur)