Patos de Minas, Brasil, 1926 - Patos de Minas, Brasil , 2012

É um dos autores mais destacados da literatura brasileira contemporânea. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Belo Horizonte, cidade onde viveu e trabalhou como jornalista até 1954. Despontou no universo literário brasileiro sendo ainda muito jovem com sua novela “Teia’, publicada em 1947. Ao longo de toda a sua vida, compaginou o exercício da advocacia com a atividade literária. Mudou-se para o Rio de Janeiro para ser secretário de imprensa da Presidência durante o governo social-democrata de Juscelino Kubitschek. Sua obra, que retoma os temas tradicionais brasileiros num esforço de renovação da literatura do País, foi distinguida com numerosos prêmios, como o prestigioso Goethe de Literatura. 

  • "Dice lo que creo que a muchos de nosotros nos gustaría decir, si supiésemos cómo." José J. Vega

Bibliografia

Novela

Às vésperas da indicação do candidato do PSD à presidência da República, Carlos Lacerda declarou na televisão: "Juscelino não será candidato, se for candidato não será eleito, se for eleito não tomará posse, se tomar posse não governará". No dia seguinte, na sede carioca do partido, JK deu a resposta: "Deus poupou-me o sentimento do medo". Foi um delírio. A assistência não parava de aplaudir, de gritar. JK foi candidato, foi eleito, tomou posse, fez o que muitos consideram o maior governo que o Brasil já teve.

Um camafeu, dez mulheres, encontros e desencontros compõem Confissões de Narciso.  O protagonista Tomás de Sousa Albuquerque deixa como legado confissões sobre as mulheres que amou, reunidas num caderno, na forma de dossiê. Sofia, sua viúva, leva os originais para apreciação do escritor João da Fonseca Nogueira, que resolve procurar um editor e publicá-los.

As confissões explicam o destino de Tomás, que, influenciado pela leitura de notórios escritores, dentre os quais Stendhal, autor de De l’amour, e Goethe, criador de Werther, discorre sobre o desafio de entender as paixões que o motivaram, os desafetos e desilusões que enfrentou na busca pela felicidade.

"Será que não representamos uma ópera de fantoches, os fios movidos por ignota mão, que segue libreto de um deus que dele não cuida mais?" – pergunta Ismael da Silva Frade, poeta e funcionário de cartório, ao escritor João da Fonseca Nogueira em Ópera dos fantoches, romance de Autran Dourado, cuja obra completa está sendo relançada pela Rocco.

Os dois encontram-se num bordel em Duas Pontes — o vilarejo mineiro recorrente nas obras de Autran Dourado — e, sob o pretexto de inspirar João na criação de um novo livro, Ismael conta sua história, que começa na Fazenda dos Mamotes, em Cercado Velho, por volta de 1920. Relembra a infância, os morros e torres de igreja onde ia em busca de refúgio, a família conservadora, que cultuava os mortos em macabra adoração, as acusações do pai, que o chamava de "vagabundo" por querer apenas fazer gaiolas e versos, e a doce irmã Ursulina e a prima Tarsila, que, juntos, costumavam banhar-se nus, no açude.

João Capistrano Sales Honório Cota tinha os pais como exemplos de caráter. Lucas Procópio Honório Cota, coronel da Guarda Nacional e político influente, era lembrado pelos bons feitos em Duas Pontes, o vilarejo mineiro onde vivem os personagens de Autran Dourado. Isaltina Sales Cota, mulher conhecida pela religiosidade, elegância, caridade e beleza, pertenceu à corte, mantendo, portanto, a aura de nobreza e o hábito da música clássica.

Já adulto e casado, João é surpreendido por uma maliciosa carta anônima que faz revelações sobre o passado de seus progenitores. A carta insinua um caso de amor entre Isaltina e o padre Agostinho Saraiva. Lucas, morto quando o filho tinha 10 anos, teria suspeitado da traição da mulher e mandado surrar o padre, que fugiu da cidade.

Monte da Alegria trata da estreita relação que pode haver entre decadência moral, fanatismo religioso, poder e loucura.

Autran Dourado conta a história de Francisco de Nossa Senhora, um eremita de meia-idade que esmola pelo sul das Minas Gerais do século 19, com o objetivo de reunir dinheiro para a construção de uma ermida dedicada a Nossa Senhora do Carmo no alto de um monte. Embora sua aparência lembre a de um frade franciscano, ele não tem ligações formais com a Igreja Católica – apenas a fé o guia em sua peregrinação, realizada na companhia de Marta e Maria, duas gêmeas que viram em Francisco a chance de obter a salvação.

Um artista aprendiz pode ser lido como um manual de composição e estilo ou como a história da formação literária e filosófica de Autran Dourado: “É a minha vida fantasiada, o meu romance pessoal.” O personagem João da Fonseca Nogueira parte da pequena cidade de Duas Pontes, cenário de outros romances do autor, em direção a Belo Horizonte, perseguindo o ideal de se tornar romancista. Para alguns estudiosos, Um artista aprendiz é um romance de formação, na linha de A educação sentimental, de Flaubert, ou, principalmente, Os anos de aprendizagem de Wilhelm Meister, de Goethe. Leitor habitual de textos teóricos, Autran Dourado põe por terra o mito de que, para ser bom escritor, basta possuir uma rica imaginação. Desde criança o personagem decorava as regras de uma boa composição literária fornecidas pelo severo professor Tito. Já em Belo Horizonte, um professor de filosofia lhe expõe as idéias de Coleridge, que divide os indivíduos entre aristotélicos e platônicos. Mais tarde, é a vez do cético escritor Sílvio Sousa ensinar-lhe o caminho da ficção. 

Um louco manso, vestido exoticamente, atravessa o sertão no final do século XIX como um Dom Quixote brasileiro, cuja missão é inspirar as pessoas na reconstrução da gloriosa Minas Gerais. Assim é Lucas Procópio, o protagonista que dá nome a esta obra. Lucas é acompanhado por Jerônimo – negro alforriado nascido Omoro Binte, príncipe na África, mas vendido como escravo –, que segue o patrão por lealdade e gratidão, e Pedro Chaves, feitor violento e vingativo. A determinação de Lucas é exercitada pela retórica e poesia, e Cláudio Manoel da Costa, autor de Vila Rica, é a referência principal. A caminho de Duas Pontes para tomar posse da Fazenda do Capão Florido, obtida por herança, ele experimenta o sucesso e o ridículo da sua condição de pregador em Itapecerica e Alfenas, cidades que cortam na peregrinação ao sul nesta primeira parte do romance, intitulada Pessoa. Entretanto, mesmo decidido a prosseguir, ele precisa conviver com a tensão entre o negro e o feitor, cujas ameaças mútuas de morte são constantes. Pedro Chaves, contudo, tem um plano, e pretende colocá-lo em prática assim que surgir uma boa oportunidade. O desfecho surpreendente é o ponto de partida para a segunda parte, Persona. Isaltina domina a narrativa a partir desse momento. Educada na corte, fina e culta, ela é obrigada a casar com o estranho e violento coronel da Guarda Nacional, e com ele tem dois filhos: Teresa e João Capistrano (protagonista do romance Um cavalheiro de antigamente). Ela vive com o marido uma relação difícil, e vê no padre Agostinho Saraiva uma oportunidade para pôr fim ao seu sofrimento. Mas a tragédia se abate sobre ela de forma ainda mais intensa. Dourado novamente interliga personagens e suas histórias tendo como ponto coincidente a cidade de Duas Pontes. 

A corrupção suprema. A loucura do poder acima de todos os limites. Acima da presidência da República, da ditadura absoluta. Acima do rei e do próprio Deus. No ponto mais alto do lugar onde se assenta a força maior de todos os deuses reunidos, é lá que Autran Dourado mergulha no romance A serviço del Rei. João da Fonseca Nogueira, inocente "futuro grande escritor" que não conseguiu ir muito acima da média, sonhava com a utopia anarquista na pacata Duas Pontes, cidadezinha do interior mineiro. Saturniano de Brito, esperto e corrupto senador que sonhava ser presidente da República, conseguiu atraí-lo para o seu bando, como assessor de imprensa e autor dos seus discursos. A partir desse ponto, o próprio João começa a mergulhar nas lamas da política, que Autran Dourado vê com extremo pessimismo. 

Essas são as duas primeiras novelas escritas por Autran Dourado. Precoce, o autor mineiro publicou A teia com recursos próprios em 1947, quando tinha apenas 21 anos. Três anos mais tarde, ele lançaria seu segundo livro, Sombra e exílio, já com o auxílio de um editor. Embora de modo incipiente, encontramos nessas duas novelas as sementes da prosa única que viria a consagrar Autran Dourado nas décadas seguintes: o esforço no desenvolvimento de uma linguagem autêntica, o cuidado na construção psicológica dos personagens, o retrato minucioso do interior de Minas Gerais. A teia narra a história de um jovem jornalista que, com a morte do pai, aluga um quarto num casarão escuro habitado por uma velha, uma moça e uma menina. Aos poucos ele percebe a existência de um terrível segredo que une as três mulheres entre si e as distancia do mundo exterior. Decifrar o enigma, no entanto, se mostra uma tarefa perigosa, pois quanto mais ele se embrenha no passado, mais risco corre de ficar preso na macabra teia que prende aquelas pessoas. Sombra e exílio conta o triste drama de Rodrigo, um homem enclausurado em si mesmo, ancorado ao trágico e vergonhoso passado. Luiza, a mulher que o traíra fugindo com seu irmão, estava agora de volta à cidadezinha, reavivando um ódio antigo que consumia todos os segundos da sua vida.

Incansável contador de histórias e dono de uma memória prodigiosa, gosta de brincar com as palavras, assim como seu criador. E é com elas que arma e desarma as aventuras e desventuras de Duas Pontes, tendo como gancho as Para compensar uma insônia de muitos anos, seu Donga não sai da janela e de lá controla a vida dos habitantes de Duas Pontes, cidadezinha mítica do interior de Minas Gerais, que já serviu de cenário para outros romances de Autran Dourado. Mais que isso, vê bem além do presente, já que tudo nele é simultâneo. Conversa com os mortos com a mesma familiaridade que com seus vizinhos.conquistas da bela e faceira Lelena, por quem os homens da cidade — incluindo o próprio Donga — suspiram. Novelário de Donga Novais é uma declaração de amor de Autran Dourado à linguagem, sua obsessão formal ao estilo, sem que esta se transforme em um obstáculo entre autor e leitor. 

Amor incestuoso num intenso período da História do Brasil. Estética de uma tragédia

A história de Malvina e Gaspar, que se passa no fausto da Vila Rica do século XVIII, fez com que Os sinos da agonia, lançado em 1974, fosse considerado, por um lado, um romance histórico e, por outro, uma metáfora da situação política do Brasil sob a ditadura. Mas Autran Dourado estava, no entanto, menos preocupado com a recriação romanesca de uma época ou com o simbolismo social ao se dedicar, em um ano e meio de elaboração, a um exercício de estilo original que faz dialogar o universo barroco mineiro com a tragédia grega.

Do primeiro, ele toma a ambientação histórico-social e, também, a caracterização dos personagens. Bela, pobre e ambiciosa numa sociedade próspera que já conhece seus primeiros momentos de decadência, a jovem Malvina vê no casamento uma saída para a vida sem horizontes na casa paterna. Porém, a união com o velho e poderoso João Diogo Galvão vai representar menos redenção do que danação a partir do momento em que ela se apaixona pelo enteado Gaspar.

Da tragédia clássica vêm os arquétipos deste amor incestuoso: Malvina é, como afirma o próprio Autran, uma recriação de Fedra, personagem-título da tragédia de Eurípedes que também foi narrada por Racine. Prosseguindo neste paralelo, Gaspar é Hipólito e João Diogo, Teseu. "Os mitos da Antigüidade Clássica continuam existindo na medida em que, se você afasta um mito da sua vida, o lugar dele não é ocupado pela razão, mas sim substituído por outro mito", afirmou Autran ao justificar sua opção estética.

Obra-prima da carpintaria literária, O risco do bordado vem percorrendo desde seu lançamento, em 1970, o caminho típico de um clássico contemporâneo, alcançando um notável sucesso de público e crítica, suscitando inúmeras teses universitárias e sendo adotado como leitura curricular. O próprio Autran Dourado considera-o o eixo central de sua obra pela forma com que conjuga sua obsessiva construção de uma mítica mineira. "Escrevo para compreender Minas", declarou ele.

Ambientado na mítica Duas Pontes, cidade que retornaria em outros livros como uma síntese do universo interiorano de seus personagens, O risco do bordado é uma viagem ao passado do escritor João da Fonseca Ribeiro, que volta ao cenário de sua infância. Ao encontrar antigos moradores da cidade, parentes e companheiros de infância, ele vai montando uma espécie de quebra-cabeças entre o vivido e o imaginado, completando e expandindo fragmentos de memória que são sua narrativa de infância e adolescência.

Lançado originalmente em 1967 e incluído pela Unesco numa coleção das obras mais representativas da literatura mundial, Ópera dos mortos é um dos romances que melhor espelha a temática e o rigor formal de Autran Dourado. Sua narrativa é um mergulho no passado da família Honório Cota a partir de um velho sobrado que, em sua arquitetura barroca, já corroída pelo tempo, vai revelando o destino de seus moradores, marcados pela tragédia, numa cidadezinha no interior de Minas Gerais.

"O senhor atente depois para o velho sobrado com a memória, com o coração", adverte um narrador que aos poucos se confunde com a cidade onde reinava o coronel Lucas Procópio Honório Cota. Homem valente, que impunha respeito pela força e truculência, traços que passavam distante da personalidade de seu filho e herdeiro, João Capistrano. Melancólico, em luta permanente para se livrar do fantasma do pai, este fracassa na política — sua única chance de se impor na cidade — e passa o resto de seus dias trancado no sobrado que ergueu como uma espécie de monumento à família.

Biela é uma moça desajeitada, encolhida e feia, que nasceu e cresceu na roça. Um dia, após a morte do pai, chega à cidade, com um vestido antiquado, para viver com o primo Conrado, testamenteiro e seu tutor. Tímida, taciturna, Biela não é apenas uma personalidade discreta, mas alguém que quer preservar sua intimidade, seu mundo pequeno e sereno. Um mundo do qual captamos poucas revelações. Sua vida pacata transcorre, assim, subterrânea, em sua vocação de freira sem claustro, de renúncia às pompas e circunstâncias. Trabalho esmerado do ficcionista Autran Dourado, recriação inventiva dos modos e linguagem da gente do interior. 

Autran Dourado definiu A barca dos homens como "uma história de caça e pesca". A linha condutora seria a história de uma perseguição a um homem que teria roubado uma arma. Fortunato, o fugitivo em questão, é um débil mental que vai mexer com a realidade e os sonhos, o consciente e o inconsciente dos habitantes e veranistas de uma ilha do litoral brasileiro, fazendo aflorar sentimentos e desejos ocultos. Ninguém é o que parece. Provocados, desejos reprimidos reaparecem com a força de uma ressaca, em ondas que ameaçam arrebentar tudo, mas que, por algum motivo, acabam fracas "lambendo" a areia. O ciclo recomeça e, um dia, pode ser que o final seja diferente.

A escolha de uma ilha como cenário para este primeiro grande romance do autor reflete o cerceamento de todos os personagens, e não apenas de Fortunato, em uma situação limite, detonadora de conflitos. A ação se desenrola a partir da narrativa de alguns desses personagens, exibindo ao leitor diversos pontos de vista de um mesmo acontecimento. Há Luzia, que sempre morou na ilha; a mãe de Fortunato, a contadora de "causos" que mistura o pensamento com a reza; Maria, a burguesa entediada com o casamento que redescobre a sexualidade e a identidade em um aparentemente implausível encontro erótico.

Pouco a pouco, toda a obra de Autran Dourado vem sendo reeditada pela Rocco, com textos revistos pelo autor e capas novas criadas pelo artista plástico Ciro Fernandes. E chegou a vez da maior das raridades deste que é um dos mais brilhantes escritores brasileiros: Tempo de amar, seu primeiro romance, publicado originalmente em 1952. Na época, o genial prosador mineiro tinha apenas 26 anos, mas já apresentava todos os ingredientes que se tornariam marcas registradas de sua literatura: os personagens fracassados cujas vidas se arrastam, os perfis psicológicos bem delineados, as palavras escolhidas a dedo e a cuidadosa carpintaria das frases, construídas com a perfeição de um grande mestre.

A figura central de Tempo de amar é Ismael, um homem que prefere o brilho das recordações de infância ao presente grotesco. Quando era criança, no início do século XX, tudo parecia perfeito: a próspera Fazenda dos Mamotes, onde seu avô, o coronel Eupídio Silveira, abrigava toda a família; o açude onde tomava longos banhos com a irmã, Ursulina, e a prima, Tarsila; o cheiro do bolo de fubá da avó, dona Ritota; as brincadeiras típicas da idade. Mas tudo isso foi ladeira abaixo depois do dia em que sua irmã morreu afogada bem na sua frente, aos 9 anos, sem que ele tivesse a iniciativa de tentar salvá-la. Era sua característica apatia começando a dar sinais.

Relatos

El libro incluye seis cuentos inéditos, protagonizados por personajes cuyas vidas constituyen una sucesión de pérdidas: de la infancia, de la inocencia, de la virginidad, de la juventud, de la mujer amada, de las tradiciones... Todos parecen formar parte de un pasado lejano, remoto.

Reúne nueve cuentos, todos ambientados en la imaginaria ciudad de Duas Pontes. El libro dialoga con obras anteriores del autor que también tienen la ciudad minera como telón de fondo. Algunos de los personajes más emblemáticos de Autran Dourado asoman en esta obra, como Margarino Vivas, escritor serio y discretísimo; el rico y admirado banquero Vitor Macedônio; o el mismísimo Donga Novais, con su increíble y atemporal sabiduría.

Ganadora de los premios Goethe y Jabuti, la obra se compone de nueve cuentos y de un breve ensayo a modo de epílogo. Los relatos se entrelazan por referencias y personajes comunes. El escenario, ¿cómo no?, es la imaginaria ciudad de Duas Pontes, tan querida por el autor. La acción discurre en la primera mitad del siglo XX. En ella, los prejuicios morales y sociales, los odios soterrados, las pasiones vergonzantes y los afectos ocultos tejen una malla de sentimientos y pasiones en medio de una sociedad sin pasado, que creció con las minas, y con las sucesivas oleadas de inmigrantes europeos y asiáticos.

Reúne cuatro novelas cortas, escritas a lo largo de tres décadas, y destila maravillosamente la pasmosa diversidad literaria de Dourado. En el libro se reconoce tanto su precisión en la construcción psicológica de los personajes como la cuidadosa descripción del interior del Estado de Minas Gerais. El relato discurre en la mítica y ficticia ciudad de Duas Pontes, el escenario predilecto del autor.

El libro reúne doce historias tristes, escritas durante los años cincuenta. Por un lado, las historias promueven un agridulce viaje hacia la melancolía de sus sufridos personajes. Por otro, aportan una experiencia lectora agradable, gracias a la belleza del texto y a la sensibilidad del autor.

Não ficção

Este es el segundo libro “teórico” de Autran Dourado, y es parcialmente fruto del curso de Teoría Literaria que impartió en la Universidad Católica de Río de Janeiro durante los años ochenta. Claramente influidas por Wittgenstein y por la Filosofía del Lenguaje, las observaciones de Dourado trascienden el territorio natural de la Literatura para abarcar la lengua en su conjunto, sobre todo en ámbitos como las condiciones de significación de las expresiones, la metafísica de un texto o el sentido de la tragedia.

Este libro se propone una rara y anormal misión: escribir sobre la escritura para desvelar los secretos, los trucos, la invención y las aflicciones de la poesía. Autran Dourado considera esa tarea esencial, no solo como contrapunto a la labor académica de los críticos, sino para la formación de los jóvenes escritores brasileños.

Prémios

  • 2008 - Premio Machado de Assis
  • 2000 - Premio Camões
  • 1994 - Premio de la Paz de la Asociación de Editores y Libreros de Alemania
  • 1982 - Premio Jabuti en su categoría de “Cuentos-crónicas-novelas”
  • 1981 - Premio Goethe de Literatura del Brasil