A barca dos homens

A barca dos homens

Novela , 1961

Rocco

Autran Dourado definiu A barca dos homens como "uma história de caça e pesca". A linha condutora seria a história de uma perseguição a um homem que teria roubado uma arma. Fortunato, o fugitivo em questão, é um débil mental que vai mexer com a realidade e os sonhos, o consciente e o inconsciente dos habitantes e veranistas de uma ilha do litoral brasileiro, fazendo aflorar sentimentos e desejos ocultos. Ninguém é o que parece. Provocados, desejos reprimidos reaparecem com a força de uma ressaca, em ondas que ameaçam arrebentar tudo, mas que, por algum motivo, acabam fracas "lambendo" a areia. O ciclo recomeça e, um dia, pode ser que o final seja diferente.

A escolha de uma ilha como cenário para este primeiro grande romance do autor reflete o cerceamento de todos os personagens, e não apenas de Fortunato, em uma situação limite, detonadora de conflitos. A ação se desenrola a partir da narrativa de alguns desses personagens, exibindo ao leitor diversos pontos de vista de um mesmo acontecimento. Há Luzia, que sempre morou na ilha; a mãe de Fortunato, a contadora de "causos" que mistura o pensamento com a reza; Maria, a burguesa entediada com o casamento que redescobre a sexualidade e a identidade em um aparentemente implausível encontro erótico.