Opera dos fantoches

Opera dos fantoches

Novela , 1995

Ed. Rocco

"Será que não representamos uma ópera de fantoches, os fios movidos por ignota mão, que segue libreto de um deus que dele não cuida mais?" – pergunta Ismael da Silva Frade, poeta e funcionário de cartório, ao escritor João da Fonseca Nogueira em Ópera dos fantoches, romance de Autran Dourado, cuja obra completa está sendo relançada pela Rocco.

Os dois encontram-se num bordel em Duas Pontes — o vilarejo mineiro recorrente nas obras de Autran Dourado — e, sob o pretexto de inspirar João na criação de um novo livro, Ismael conta sua história, que começa na Fazenda dos Mamotes, em Cercado Velho, por volta de 1920. Relembra a infância, os morros e torres de igreja onde ia em busca de refúgio, a família conservadora, que cultuava os mortos em macabra adoração, as acusações do pai, que o chamava de "vagabundo" por querer apenas fazer gaiolas e versos, e a doce irmã Ursulina e a prima Tarsila, que, juntos, costumavam banhar-se nus, no açude.